Ver conteúdo

Poesia – Fernando Lemos

Quando Breton define a práctica do Surrealismo fá-lo enquanto modo de auscultação terapêutica, estudo acerca da amplitude da mente e das emoções, como forma de procurar uma verdade menos comum e impossível de padronizar. Importava observar a improvável cabeça humana no sem-limite da imaginação e do sentimento.
Fernando Lemos é um dos exemplos esplendorosos da estetização de algo que começa por ser uma estratégia psiquiátrica e se faz arte, corrente artística e de implicações ideológicas ou filosóficas. A sua intervenção é absoluta, deitando mão de valências díspares, como a fotografia, a pintura ou a poesia, para consumar o que era o propósito de Breton: entender que há uma liberdade interna que o indivíduo tende a desconhecer, tende a não exercer. Uma Liberdade que não se inibe perante a loucura, não se inibe perante a sanidade.

A arte de Fernando Lemos é uma ansiedade intensa pelo exercício da Liberdade. Atravessando ditaduras, a portuguesa e a brasileira, sempre junto ao sonho de contribuir para países melhores e pessoas potenciadas, Lemos é um artista completo, e a poesia que agora reeditamos mostra-o assim: preocupado, provocador, humorizado, frontal, desconcertante, imprevisível, visual.
Obrigatoriamente na História do Surrealismo mundial, o poeta é testemunha da normalização do anormal, depositando na arte algo que lhe será sempre maior: a humanidade enquanto oportunidade de certo absoluto. Como o que foi guardado apenas para os deuses. Um olhar para dentro de todos os mistérios.

Valter Hugo Mãe

19,00 

REF: 182 Categoria:
ISBN

Edição ou reimpressão

2020

Encadernação

Capa mole

Páginas

424

Autor:

Fernando Lemos

Editora:

Porto Editora