Ver conteúdo

Gaveta do Fundo

“Gaveta do Fundo” 

Tinta da China,2013, 90 págs. B.

Depois de se ter estreado com um impressionante conjunto de poemas que iniciou o chamado «ciclo do Nordeste» (Algures a Nordeste, Boleto em Constantim, Douro: Pizzicato e Chula, Arado e Cobra‑d’Água), A. M. Pires Cabral regressa ao tema de Trás‑os‑Montes, em tom elegíaco. A Terra Quente é agora uma terra envelhecida, despovoada, esquecida, cheia de silêncios e de escombros. Uma terra que chegou ao fim. Esta colectânea não desiste de uma nostalgia ainda «bucólica»: o rio Tua, as vinhas e furnas, a lavoura, a «guarda pretoriana» de gatos e cães, rãs e vacas, aves e pirilampos. A linguagem dos poemas é elevada ou demótica, sarcástica e quase metafísica, alegórica e zangada com as decisões de quem manda. Ou simplesmente assustada com a «temível, cerrada, intransitiva / noite dos homens». Porém, o tom disfórico não impede que o poeta se comova com procissões e magustos, resquícios de um tempo em que natureza e comunidade formavam uma união quase sagrada. Nos últimos anos, a discreta poesia de Pires Cabral alcançou um justo reconhecimento, por causa de alguns livros esplêndidos sobre a finitude. Chegou agora a vez do seu requiem transmontano.
— Pedro Mexia

10,00 

REF: 1320-1-1-1 Categoria:
ISBN

Edição ou reimpressão

2013

Encadernação

Brochado

Páginas

90

Autor:

A.M. Pires Cabral

Editora:

Tinta da China